domingo, 12 de janeiro de 2014

ARTES E CULTO NO TANACH - UMA BREVE EXPOSIÇÃO

6b7a9f5a07beb61b1958c600d0ad9c9f ARTES E CULTO NO ANTIGO TESTAMENTO UMA PEQUENA EXPOSIÇÃO (Prof.Marcos A M Bittencourt)
ARTES E CULTO NO ANTIGO TESTAMENTO - UMA PEQUENA EXPOSIÇÃO
Prof. Marcos  A M Bittecourt
INTRODUÇÃO – O ponto de partida para o estudo das artes no Antigo Testamento é o da análise diacrônica. Deve-se considerar que há etapas na história de Israel onde há evidências de maior ou menor constatação do fato artístico. No Antigo Testamento (Tanach), o senso do estético[1] encontra uma barreira evidente nos dois primeiros mandamentos (Ex.20:3-5). A recomendação de não ter outros deuses é seguida da que orienta a não construção de peças esculpidas; como conseqüência final, não se deve prestar culto a essas peças, dada a exclusividade de YHWH. O senso do estético é orientado para a contemplação desde que essa última não desvie o foco do Criador, ou seja, a beleza da criação não deve ser reproduzida sob o perigo do indivíduo apropriar-se dela como objeto. A criação aponta para o Criador (Sl.19:1; Is.40:26; Dt.4:19). Mesmo a existência de imagens de querubins na arca da aliança não pode ser um atenuante para contemplação e adoração das mesmas, até porque a arca ficava sempre em local restrito no tabernáculo e, depois, no templo, no Santo dos Santos, afastada da congregação. Poder-se-ia dizer que não existe a arte pela arte no Antigo Testamento representada através de escolas artísticas. O senso artístico estava intimamente ligado ao culto, existente primeiro no Tabernáculo e, depois de Salomão, no Templo.[2] A partir da Monarquia salomônica, com os intercâmbios culturais externos, o gosto pelas artes foi aprimorado através de movimentos específicos, tais como a Literatura e a Arquitetura, bem como o aprimoramento da Música israelita, que recebe influências estrangeiras. Alguns aspectos da arte no Antigo Testamento devem ser ressaltados:
1.       A QUESTÃO EM TORNO DAS IMAGENS ESCULPIDAS à O Antigo Testamento proíbe a utilização de imagens no culto e fora dele devido a alguns fatores:
1.1   – Exclusividade de YHWH.
1.2   – O conflito entre o estético e o ético no culto: as imagens remontam aos cultos politeístas cananeus e mesopotâmicos, estes últimos ascendentes dos antigos patriarcas hebreus (Js.24:15).
1.3   – O perigo da redução de YHWH aos deuses: imagens de Baal (deus cananeu) eram adoradas como se YHWH fossem (Os.8:5-6; 13:2).
1.4   – O perigo da comparação de YHWH com os deuses: nada é capaz de representar o Criador do universo (Is.40:18-25).
1.5   – YHWH já tem uma imagem: o ser humano (Gn.1:26).
Obs: Depois da monarquia salomônica artes de entalhes e de escultura foram introduzidas no Templo, mas depois do exílio babilônico (Séc.VI a C), foram arrancadas devido a restauração do culto judaico.
2.       A MÚSICA à Apesar de Gn.4:21 (uma etiologia do surgimento das artes na civilização antiga), os textos mais antigos sobre a expressão musical dos hebreus vêm da época de Moisés (Ex.15) com o seu famoso cântico, bem como de Miriam, sua irmã, que dançava ao som de instrumentos de percussão. A arte musical dentre os judeus antigos era integral quanto ao seu conteúdo e alcance: os Salmos representam a alma judaica. Os judeus cantavam a paz e a guerra, a alegria e a tristeza, a certeza e a dúvida; seus cânticos iam desde o evento de abertura de um poço no deserto, passando pela paixão arrebatadora pela mulher amada, até o canto de amor por YHWH. Ressaltaremos quatro funções importantes da música no Antigo Testamento.
2.1   – Função cúltica: função precípua da música no AT, o qual já falava de uma certa organização de levitas em torno do Tabernáculo. Entretanto, a organização do culto para o Templo está colocada sob a responsabilidade de Davi (I Cr.22 – 24). Uma pequena parte dos salmos (da época de Davi) foi utilizada no Templo durante a monarquia, enquanto que boa parte deles só foi composta durante e depois do exílio babilônico. Apesar da beleza “divina” existente nos salmos, os seus autores não se deixavam levar pela emoção. Percebe-se também um esmero, um cuidado extremo com a forma e a estrutura, tais como no acróstico do Salmo 119, onde cada grupo de 8 versos tem a sua primeira palavra iniciada pelas 22 letras do alfabeto hebraico (  a Aleph,  b bet,  g guimel,  d dálet ,  h hei,  w  waw,   z záin, …)
2.2   – Função Carismática: A música foi utilizada como ambiente facilitador da possessão do profeta pelo Espírito de Elohim para que ele pudesse falar a palavra divina. Em II Rs.3:14-15, Eliseu serve-se de um harpista e em I Sm.10:5 há menção de profetas músicos que viabilizam a posse de Saul pelo Espírito divino.
2.3   – Função terapêutica: Há referências da utilização da música para dissipar distúrbios psico-emocionais. O caso mais famoso é o de Saul, que sofria de depressão (talvez Psicose-maníaco-depressiva), cujo distúrbio era acalmado quando ouvia Davi tocando harpa (I Sm.16:23).
2.4   – Função reflexiva: os salmos existencialistas (Sl. 73; 74) eram peças musicais cuja função precípua era o culto mas traziam em seu escopo uma reflexão em torno da justiça divina e a condição humana do sofrimento do justo e da prosperidade do ímpio.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SMITH, Ralph L. Teologia do Antigo Testamento: história, método e mensagem. 1ª. Ed. São Paulo: Vida Nova, 2001.
SUBIRÁ, José. Historia de la música. v.1, 3ª. Ed. Barcelona: Salvat, 1958.
WOLFF, Hans Walter. Antropologia do Antigo Testamento. 2ª. Ed. São Paulo: Loyola, 1983.

[1]Existe o senso de estético no AT orientado para a contemplação da beleza dos animais, do homem e da mulher (Cântico dos Cânticos), dentro de modelos próprios dos orientais antigos (Ex: comparar uma mulher bonita com uma égua), conforme Ct.5:10-16 e 7:2-6. Entretanto, há uma conexão entre o estético e a sabedoria (a “beleza perigosa” em Pv.11:22; 31:30; Assim, o senso do estético era também canalizado para fins éticos (Jr.18), possuindo, portanto, uma função instrumental.
[2] A parte principal do templo, o Hekal, onde ficava o altar, possuía em suas paredes entalhes de serafins. Esses serafins ganharam movimentos especiais na visão do profeta Isaías (Is.6). Na época do Rei Josias houve uma reforma no templo onde foram tiradas as imagens esculpidas que serviam como objeto de culto, conforme II Reis 23.
fonte: http://www.stbnb.com.br

Um comentário:

  1. Uau... gostei de ver!!! (rs)

    Além de publicarem o Ciclo Trienal, As ensináveis Reflexões; temos agora mas uma fonte para pesquisa e estudo... Fico feliz e não poderia deixar de parabenizar ao Blog Torah Vida por esse avanço tão importante para nós iniciantes em Teshuvá.
    Além disso percebo que com a assimilação e pratica desses conteúdos (publicações) certamente "eraremos menos" nessa caminhada.

    Parabéns, Obrigada e Shavuá tóv.

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