sábado, 23 de novembro de 2013

REFLEXÃO SEDRAH 137 - DEVARIM/DEUTERONÔMIO 20 (NÃO VOS ACOVARDEIS)

por Yossef Michael
(Shavuah Tóv)
Nossos pais tinham uma maneira muito peculiar de ver o mundo... Para eles era tudo muito mais simples!!!

Por isso, vamos analisar hoje o passuk/versículo de Devarim 20:3, “e proclamará: ‘Ouve, ó Yisra'El! Estais hoje prestes a guerrear contra os vossos inimigos. Não vos acovardeis (amoleçais), nem vos deixeis intimidar; não vos aterrorizeis, tampouco tenhais medo por causa deles”.
Vamos ver o que nos diz o hebraico?

“Não vos acovardeis”, em hebraico "lo yirach levav’chem".

É no mínimo intrigante... Duas palavras tem sentido muito direto, "lo" que significa “não” e "levav’chem" que significa “seus corações”. Mas e quanto à "yirach"? O que será que pode significar?

Vejamos alguns passukim/versículos para tentarmos compreender melhor o contexto da passagem de Devarim/Deuteronômio"

Bereshit/Gênesis 24:2, “E disse Avraham/Abraão ao seu servo, o mais velho da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa (yarecha)”;

Bereshit/Gênesis 24:9, “Então pôs o servo a sua mão debaixo da coxa (yerech) de Avraham/Abraão seu senhor, e jurou-lhe sobre este negócio”;

Bereshit/Gênesis 32:25, “E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa (yerecho), e se deslocou a juntura da coxa (yerech) de Ya’akov/Jacó, lutando com ele”.

Ao que tudo indica "yirach" está associada à “coxa”, mas o que “coxa” e “seus corações” têm em comum? Ou melhor, como estas palavras podem estar associadas? (Nota: colocarei a palavra coxa entre aspas, por não me preocupar se esta palavra, no hebraico, realmente está associada à porção da perna, localizada logo abaixo do quadril, ou se pode estar associada à outra parte do corpo masculino).

Será que o contexto das passagens pode nos ajudar? 

Em Bereshit/Gênesis 24 temos que este ato de por a mão sobre a “coxa” está relacionado a um juramento, uma promessa... Não uma promessa qualquer, mas sim uma promessa relacionada com a descendência de Avraham/Abraão, quando este pede a seu servo que cuidasse de arrumar uma boa esposa para seu filho Yits’chak/Isaque.

Já em Bereshit/Gênesis 32, o contexto é diferente vemos Ya’akov/Jacó lutando com um malach/mensageiro do Eterno e após um longo duelo acabou sendo ferido em sua “coxa” e em seguida é abençoado e tem seu nome mudado para Yisra’El. Se pensarmos em uma das possíveis traduções para Yisra’El, como sendo “O Eterno prevalece” pode ficar bastante interessante seu sentido.

Olhando para o contexto das passagens que acabamos de ler de Bereshit/Gênesis vemos que os kohanim/sacerdotes estavam preocupados com algo bastante importante para nossos pais e que poderia tirar-lhes o foco da batalha, sua descendência.

Como poderiam estar centrados na batalha, se seus corações estavam distantes? Vemos aqui novamente a grande importância que o órgão coração tem na mentalidade semita, como agente promotor de ações, em paralelo com as funções cerebrais, como já visto em outro estudo.

Avraham/Abrahão, nosso pai, fez seu servo jurar-lhe que não permitiria que seu filho tomasse para si esposa que não fosse de sua família (parentela)!

Dessa forma, aqueles homens que ali estavam tinham sim uma preocupação real com suas “primícias”, daí a menção feita nos passukim/versículos seguintes. Devarim/Deuteronômio 20:5-7, “Os escribas também falarão ao povo, exclamando: ‘Quem construiu uma casa nova e ainda não a consagrou? Que se retire e volte para casa, para que não morra na peleja e outro a consagre em seu lugar. Quem plantou uma vinha e ainda não colheu seus primeiros frutos? Que se retire e volte para casa, para que não corra o risco de morrer em batalha e outro colha os primeiros frutos que lhe pertencem.  Há alguém comprometido para casar-se que ainda não recebeu sua mulher? Que se retire e volte para sua casa, para que também não corra o risco de morrer em luta e outro se case com sua esposa!’”.

Vamos agora olhar um pouco mais para a passagem de Ya’akov/Jacó que está em Bereshit/Gênesis 32 e 33...
Ya’akov/Jacó foi ferido pelo malach/mensageiro do Eterno em sua “coxa” e daí teve seu nome mudado para Yisra’El como consequência da bênção recebida e por sua persistência. Mas onde está a descendência? A resposta vem logo a seguir, já que a divisão por perekim/capítulos é algo “estranho” às Escrituras em seus originais:
Bereshit/Gênesis 33:1-5, “E levantou Ya’akov/Jacó os seus olhos, e olhou, e eis que vinha Esav/Esaú, e quatrocentos homens com ele. Então repartiu os filhos entre Leah/Lia, e Rachel/Raquel, e as duas servas. E pôs as servas e seus filhos na frente, e a Leah/Lia e seus filhos atrás; porém a Rachel/Raquel e Yossef/José os derradeiros. E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão. Então Esav/Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram. Depois levantou os seus olhos, e viu as mulheres, e os meninos, e disse: Quem são estes contigo? E ele disse: Os filhos que Elohim graciosamente tem dado a teu servo”.
Qual era aqui o contexto? Esav/Esaú estava com quatrocentos homens armados para vingar-se de Ya’akov/Jacó pelo episódio da primogenitura. Se pararmos para pensar, todos aqueles que com ele, Ya’akov/Jacó, estavam, seriam também feridos de morte naquele momento, ou seja, sua descendência estaria totalmente comprometida. Por isto, vemos Ya’akov/Jacó colocando suas esposas e filhos atrás dele, para protegê-los. Entendo que a ordem de colocação dos mesmos não seja, neste caso, o aspecto mais relevante.
O que não podemos deixar de levar em consideração é que Ya’akov/Jacó acabara de ter “vivido” a experiência em que travou uma luta com o malach/mensageiro do Eterno e que seu nome agora era “O Eterno prevalece”. Assim, naquele momento e, por ter a promessa feita por Elohim de que sua descendência seria incontável como os grãos de areia ou como as estrelas do céu, conseguimos enxergar o livramento dado pelo Eterno a ele e sua família naquele momento... O Eterno prevaleceria sempre em suas vidas!
Voltando agora para a passagem que hoje estamos estudando... Obviamente no campo da especulação, será que os kohanim/sacerdotes estavam ali separando “covardes” ou cumprindo uma profecia do Criador de que a descendência de nossos pais teria de ser sempre garantida?
O complemento da passagem pode nos dar esta resposta. Ao nos dizer que não deveríamos temer, tremer ou nos aterrorizar com nossos inimigos, já que O Eterno sempre prevalece, Ele, o Criador, nos garante que uma vida pautada em Suas Mitsvot, buscando de toda forma obedecê-lO, pode nos garantir a promessa feita a nossos pais, Avraham/Abrahão, Yits’chak/Isaque e Ya’akov/Jacó. 
A dúvida e, por isso, a cautela dos kohanim/sacerdotes, era e sempre será a mesma... Estamos prontos para a “batalha”? Estamos prontos para deixarmos o conforto de nossas vidas para lutarmos pelo cumprimento de Sua Torah? Estamos prontos para deixarmos o Eterno como único condutor de nossas vidas? Ou sempre seremos admoestados pela preocupação com algo que deveria estar em segundo plano? 
Com base nisto, acho que a resposta para a pergunta proposta é SIM e SIM, ou seja, os kohanim/sacerdotes estavam ali agindo com sabedoria, separando pessoas que não estavam prontas para a batalha, e, ao mesmo tempo, estavam cumprindo a promessa feita a nossos pais, da garantia de nossa descendência, pois se pessoas não preparadas para a batalha ali se lançassem, além de não retornarem para suas casas, o que prejudicaria sua descendência, ainda atrapalhariam aqueles que lá estavam para realmente batalhar pela causa justa, a tomada da Terra Prometida! 
Que o Eterno continue a nos guardar e fortalecer, preparando nossos corações para o Grande e Temível Dia...
Chazak, Chazak Venit Chazek!!!
Força, força e que sejamos fortalecidos!!!

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