sábado, 2 de novembro de 2013

REFLEXÃO SEDRAH 134 - HAFTARAH EM YIRMIYAHU/JEREMIAS 29 (O EXÍLIO - CASTIGO E REDENÇÃO)

Shalom, chaverim v'chaverot
por Yossef Michael
Uma das passagens do Tanach que sempre me intrigou é a que está retratada no livro de Yirmiyahu/Jeremias, a partir do perek/capítulo 27, onde o Eterno nos ordena claramente para que nossos pais aceitassem o jugo que lhes seria imposto por Nevuchad’netsar/Nabucodonosor, o rei de Bavel/Babilônia, senão vejamos:
Yirmiyahu 27:5-8, Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, com o Meu grande poder,  com o Meu braço estendido, e a dou a quem é reto aos Meus olhos. E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nevuchad’netsar/Nabucodonosor, rei de babilônia, Meu servo; e ainda até os animais do campo lhe dei, para que o sirvam. E todas as nações servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho, até que também venha o tempo da sua própria terra, quando muitas nações e grandes reis se servirão dele. E acontecerá que, se alguma nação e reino não servirem o mesmo Nevuchad’netsar/Nabucodonosor, rei de babilônia, e não puserem o seu pescoço debaixo do jugo do rei de babilônia, a essa nação castigarei com espada, e com fome, e com peste, diz O Eterno, até que a consuma pela sua mão”.

A primeira coisa que desperta a atenção nesse passuk/verso é que o Eterno chama ao rei de bavel/babilônia de “Meu servo”, no hebraico "av’diy".  Alguns até podem dizer que se trata de uma má tradução, mas, outras passagens em que esta palavra aparece tem a mesma conotação, senão vejamos:

Bamidbar/Números 12:7, “Não é assim com o Meu servo (av’diy) Mosheh/Moisés que é fiel em toda a Minha casa”;

Yeshayahu/Isaías 44:1, “Agora, pois, ouve, ó Ya’akov/Jacó, servo Meu (av’diy), e tu, ó Yisra’El, a quem escolhi”;

Divrei Hayamim Alef/1 Crônicas 17:4, “Vai, e dize a David Meu servo (av’diy): Assim diz o Eterno: Tu não Me edificarás uma casa para Eu morar”.

Parece-me bastante claro que não há aqui um erro de tradução. Mas, então, como compreender o que é dito em Yirmiyahu/Jeremias?

Vejamos a passagem que hoje estudamos e que está em Yirmiyahu 29:16-19, “Assim disse O Eterno a respeito do rei que está sentado sobre o trono de David e a respeito de todo povo que habita nesta cidade, vossos irmãos que não foram deportados convosco. Assim disse O Eterno dos Exércitos: 'Eis que lhes vou enviar a espada, a fome e a peste; e os farei semelhantes a figos podres que não podem ser comidos, de tão ruins que são. Eu os perseguirei pela espada, pela fome e pela peste. Farei deles um objeto de horror para todos os reinos da terra, uma maldição, um objeto de espanto, de escárnio e de vergonha, em todas as nações, onde eu os dispersei. Porque não escutaram as minhas palavras — oráculo dO Eterno —, embora lhes tenha enviado sem cessar meus servos, os profetas, mas eles não os escutaram, oráculo dO Eterno'”.

O que aqui está descrito como o destino daqueles que não aceitaram o jugo de bavel/babilônia também aparece profetizado no perek/capítulo 27 de Yirmiyahu/Jeremias, ou seja, nada novo!

O Eterno nos dá uma “pista” sobre o que ocorreu com nossos pais ao nos dizer o porquê de tudo ter ocorrido, pois, não O escutamos através de Seus profetas que nos haviam sido enviados... Mas, o que diziam estes profetas, que afinal acabou nos levando ao exílio?

Yirmiyahu/Jeremias 25:4-6, “Também vos enviou o Eterno todos os Seus servos, os profetas, madrugando e enviando-os, mas, vós não escutastes, nem inclinastes os vossos ouvidos para ouvir, Quando diziam: Convertei-vos agora cada um do seu mau caminho, e da maldade das suas ações, e habitai na terra que o Eterno vos deu, e a vossos pais, para sempre. E não andeis após outros deuses para os servirdes, e para vos inclinardes (ulehish’tachaot) diante deles, nem Me provoqueis à ira com a obra de vossas mãos, para que não vos faça mal”.

Vemos novamente a idolatria como “pano de fundo” para a desgraça de nossos pais...

Já estudamos em outras oportunidades, a relevância do “prostrar-se” ou “inclinar-se”, como algo que deveria ser feito exclusivamente ao Eterno, pois, no hebraico esta palavra, "lehish’tachaot", é o que mais se aproxima do que conhecemos no português como "adoração"!!!

Aceitar o jugo de bavel/babilônia não significava, em momento algum, qualquer referência a adorar os deuses dos caldeus... Absolutamente!!! 

A questão toda é que, se tivéssemos dado ouvidos às ordens do Criador, através de Seus profetas, talvez sequer fôssemos exilados... Mas, antes disto, o que fizemos? Adoramos a outros... 

No início do perek/capítulo 24, o Eterno usa de uma metáfora para falar acerca daqueles que seriam levados cativos para bavel/babilônia, senão vejamos:

Yirmiyahu/Jeremias 24:5-7, “Assim diz o Eterno, o Elohim de Yisra’El: Como a estes bons figos, assim também conhecerei aos de Yehudah/Judá, levados em cativeiro; os quais enviei deste lugar para a terra dos caldeus, para o seu bem. Porei os meus olhos sobre eles, para o seu bem, e os farei voltar a esta terra, e edificá-los-ei, e não os destruirei; e plantá-los-ei, e não os arrancarei. E dar-lhes-ei coração para que me conheçam, porque eu sou o Eterno; e ser-Me-ão por povo, e Eu lhes serei por Elohim; porque se converterão a Mim de todo o seu coração”.

E quanto aos que não aceitaram o exílio, o que nos diz o Tanach?

Yirmiyahu 24:8-10, “E como os figos ruins, que se não podem comer, de ruins que são (porque assim diz o Eterno), assim entregarei Tsid’kiyahu/Zedequias, rei de Yehudah/Judá, e os seus príncipes, e o restante de Yerushalayim/Jerusalém, que ficou nesta terra, e os que habitam na terra do Egito. E entregá-los-ei para que sejam um prejuízo, uma ofensa para todos os reinos da terra, um opróbrio e um provérbio, e um escárnio, e uma maldição em todos os lugares para onde Eu os arrojar. E enviarei entre eles a espada, a fome, e a peste, até que se consumam de sobre a terra que lhes dei a eles e a seus pais”.

Algo que me chamou a atenção, é que estes "figos", no hebraico "teeniym", têm em duas passagens bastante distintas, "poder curativo", senão vejamos:

Melachim Beit/2 Reis 20:7, “Disse mais Yeshayahu/Isaías: Tomai uma pasta de figos (teeniym). E a tomaram, e a puseram sobre a chaga; e ele sarou”;

Yeshayahu/Isaías 38:21, “E dissera Yeshayahu/Isaías: Tomem uma pasta de figos (teeniym), e a ponham como emplastro sobre a chaga; e sarará”.

Ainda que esta cura seja física, sem rodeios ou qualquer tipo de espiritualização, será que Yehudah/Judá precisava ser curada de alguma coisa?

Yirmiyahu 8:19-22, “Eis a voz do clamor da filha do Meu povo de terra mui remota; não está o Eterno em Tzion/Sião? Não está nela o Seu rei? Por que Me provocaram à ira com as suas imagens de escultura, com vaidades estranhas? Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos. Estou quebrantado pela ferida da filha do Meu povo; ando de luto; o espanto se apoderou de mim. Porventura não há bálsamo em Gil’ad/Gileade? Ou não há lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do Meu povo?".

A resposta parece ser sim!

Yirmiyahu 23:10-12, “Porque a terra está cheia de adúlteros, e a terra chora por causa da maldição; os pastos do deserto se secam; porque a sua carreira é má, e a sua força não é reta. Porque tanto o profeta, como o sacerdote, estão contaminados; até na Minha casa achei a sua maldade, diz o Eterno. Portanto, o seu caminho lhes será como lugares escorregadios na escuridão; serão empurrados, e cairão nele; porque trarei sobre eles mal, no ano da sua visitação, diz o Eterno”.

Yerushalayim/Jerusalém precisava da cura a ser enviada pelo Eterno... Por incrível que pareça, segundo o Tanach, o cativeiro em bavel/babilônia deveria ter sido aceito por nossos pais para que se cumprisse a palavra do Eterno, o que lhes garantia o retorno à Terra Prometida, a partir de Sua Mão poderosa, daí submetendo a bavel/babilônia e outras nações a Sua Vontade e trazendo Am/Povo Yisra’El em salvo conduto à Yerushalayim/Jerusalém.

Frequentemente, em nossas vidas, não compreendemos os desígnios do Eterno, mas, temos de ser confiantes e seguir Suas instruções, enquanto não chega o momento de nosso retorno ao local onde faria habitar o Seu Nome...

Yirmiyahu/Jeremias 29:4-7, "Assim disse O Eterno dos Exércitos, Elohim de Yisra'El, a todos os exilados que eu deportei de Yerushalayim/Jerusalém para a Bavel/Babilônia:  Construí casas e instalai-vos; plantai pomares e comei os seus frutos.  Casai-vos e gerai filhos e filhas, tomai esposas para os vossos filhos e dai as vossas filhas em casamento, que eles gerem filhos e filhas; multiplicai-vos aí e não diminuais!  Procurai a paz da cidade, para onde eu vos deportei; rogai por ela aO Eterno, porque a sua paz será a vossa paz”.

Que esta passagem de Yirmiyahu/Jeremias nos sirva de alento e motivação para seguirmos com nossas vidas, mesmo ainda em dispersão (Galut), porém, procurando não repetir os erros de nossos pais que encontraram na idolatria, sua perdição, o que os afastou definitivamente dos propósitos do Criador, sem a mínima condição de vislumbrarmos o momento em que voltaremos a ter direito sobre nossa casa, o local escolhido por HaShem, para ali fazer habitar o Seu Nome...


Talvez nossa dispersão, a exemplo do que foi o cativeiro de bavel/babilônia, seja necessária para valorizarmos o retorno que se dará, não por mérito nosso, mas pela mais incomensurável misericórdia do Eterno, Bendito Seja!!!
Chazak, Chazak Venit Chazek!!!
Força, força e que sejamos fortalecidos!!!

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