sábado, 24 de agosto de 2013

REFLEXÃO SEDRAH 124 - YESHAYAHU/ISAIAS 31(SOB AS ASAS DO ALTÍSSIMO)

por Yossef Michael


A reflexão da Sedrah desta semana está na Haftarah, em Yeshayahu/Isaias 31 e acredito que continuará sendo estudada e não deixará de abordar questões muito pertinentes como a confiança no Eterno x a confiança no homem, entre outros maravilhosos aspectos. Porém, algo que me chamou a atenção e que gostaria de abordar nesta reflexão, está contido no passuk/versículo 5, senão vejamos:

Yeshayahu/Isaías 31:5“Como pássaros que chegam voando sem que se saiba de onde, assim YHWH Tseva’ot virá proteger Yerushalayim, não somente protegendo, mas trazendo Sua salvação e resgatando-a”.

Yeshayahu/Isaías 31:5“Como pairam as aves, assim YHWH Tseva’ot amparará a Yerushalayim; protegê-la-á e salvá-la-á, poupá-la-á e livrá-la-á”.

Ao lermos estas duas possibilidades de tradução, podemos até chegar a compreendê-las de formas distintas, mas, creio que haja como harmoniza-las com base no hebraico e, a partir daí, extrairmos valiosíssima lição.

A segunda parte do passuk/versículo, aparentemente, possui o mesmo significado e, por isto, vamos nos ater à comparação da primeira porção. Lembrando que a língua hebraica procura associar ações à experiências e sensações palpáveis e baseadas na natureza, analisemos a palavra que descreve a ação dos pássaros, no hebraico "aphot" que, segundo a Concordância Strong #05774, vem da raiz antiga "uph" que, entre outras coisas, pode significar:
  • voar, voar ao redor de, voar para longe
  • voar, pairar
  • voar para longe
  • voar ao redor ou para lá e para cá
  • fazer voar para cá e para lá, brandir
  • cobrir, ser escuro n f
  • escuridão

Na primeira tradução, "aphot" aparece como “chegam voando sem que se saiba de onde”. É uma tradução possível? Claro que sim, já que há suporte para tal. Talvez, a alusão a um desconhecimento de onde vem possa ser compreendida a partir da possibilidade de associar este radical "uph" à "escuridão", também. 

Outra argumentação para sustentar esta tradução vem do fato de existirem inúmeras passagens no Tanach que fazem referência a ataques de aves dos céus, geralmente, associadas à consequência de transgressões e desvios dos propósitos do Criador.

Desta forma, o Eterno enquanto uma “força devastadora” viria e arrasaria aqueles que tentassem destruir a Yerushalayim/Jerusalém, o local que escolhera para ali fazer habitar o Seu Nome. Impressionante não?

Vamos agora analisar a segunda possibilidade, que intitulou esta reflexão.

Como vemos na Concordância Strong, a tradução de "aphot" como “pairam”, também, é perfeitamente possível. Temos bastante conhecimento e estudos acerca do efeito de “sustentação” que o ar oferece quando superfícies planas e extensas como as asas sobre ele se movimentam, quando em voo.

Mas e naquela época? Os únicos seres conhecidos por nossos pais a voarem e “pairarem” eram os pássaros, insetos e morcegos. Estes estudos eram totalmente desconhecidos para eles. Ou seja, não havia uma “explicação” para tal fenômeno. Nossos pais eram obrigados a acreditar que aquele milagre tinha uma única fonte, o Criador... Estavam errados? Claro que não, afinal, Ele é o Criador de todas as coisas, inclusive do “fenômeno” de sustentação pelo ar.

A partir desta compreensão, podemos vislumbrar quão maravilhoso é estudarmos as Escrituras a partir de conceitos tão simples e cotidianos para aquela sociedade - para nossos pais.

A passagem de Yeshayahu/Isaías nos convida a acreditarmos que o Eterno é esta “força invisível” capaz de sustentar o voo dos pássaros. É algo que não podem ver, mas seu efeito, o vôo, sim.

O que este passuk/versículo nos traz é isto. O Eterno, YHWH Tseva’ot, Aquele que luta por nós todos os dias de nossas vidas, age ao Seu modo, sem que possamos enxergar Sua ação. Simples desta forma, como o voo de um pássaro. Não é através de pirotecnia ou algum tipo de show que isto ocorre, mas, na simplicidade de algo natural .

Ainda que outros estejam estudando a questão da confiança no Eterno x confiança no homem, este passuk/versículo coroa o entendimento dos quatros primeiros passukim/versículos de forma realmente impressionante.

Nós, enquanto povo do Eterno, devemos confiar nas Suas ações sem que possamos vê-lO! Devemos pautar nossas vidas unicamente na Torah e aceitar que os sobressaltos virão, mas Ele, assim como faz com os pássaros, nos dará essa sustentação, para que possamos continuar nossa jornada. Suave como a brisa é o Seu agir e, reconfortante é sabermos que Ele nos ama de uma forma tão intensa que não poderemos jamais retribuir-lhe uma simples fagulha de tudo isto...

Yerushalayim/Jerusalém, Sua morada, apesar de ainda viver tempos de caos, onde a Palavra do Criador parece estar esquecida, será palco desse “agir”. Para aqueles que se recusam a conhecer e seguir a Verdade o que ocorrerá será incompreensível, mas para nós, Seu povo, apenas motivo de alegria e regozijo!

Somos capazes de nos lançarmos em meio ao nada como um pássaro em seu primeiro voo, sabendo que algo que não pode ser visto está pronto para nos sustentar?


Reflitamos sobre isto e saberemos se Aquele em quem confiamos tem ou não poder...
Chazak, Chazak Venit Chazek!!!
Força, força e que sejamos fortalecidos!!!

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