sábado, 20 de julho de 2013

REFLEXÃO DA SEDRAH 119 - BAMIDBAR/NÚMEROS 32


(imagem extraída da Internet)
por Yossef Michael
A pequena reflexão que faremos será sobre um tema bastante pertinente:- nossas prioridades.
Nosso povo estava lá, quase à beira do Yarden e o Eterno seguia providenciando para que alcançassem o sucesso de sua jornada, isto é, a tomada de Kena’an.
A passagem de Bamidbar desta semana abre com a preocupação de Reu’ven e Gad em relação a seus gados, já que possuíam vastos rebanhos, senão vejamos: Bamidbar 32:1, “Os descendentes de Reu'ven e Gad tinham um  número extremamente grande de animais e eles viram que a área de Ya'azer e Gilad eram boas para gado”
Não são poucas as passagens nas escrituras em que a palavra “gado”, no hebraico, mik’neh, aparece associada a despojos, riquezas ou até mesmo poder.
Bereshit 26:14, “E tinha possessão de ovelhas, e possessão de vacas, e muita gente de serviço, de maneira que os phelish’tyim o invejavam”
Kohelet 2:7, “Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Yerushalayim”
Yehezk’El 38:12, “A fim de tomar o despojo, e para arrebatar a presa, e tornar a tua mão contra as terras desertas que agora se acham habitadas, e contra o povo que se congregou dentre as nações, o qual adquiriu gado e bens, e habita no meio da terra”
Entre outras inúmeras passagens...
Ainda que sob a pressão de Mosheh Reu’ven e Gad tenham-se decidido a irem à frente de seus irmãos na frente de batalha para a tomada de Kena’an, suas prioridades foram outras... Inicialmente preocuparam-se com seus gados e depois com suas famílias... Mas e quanto à ordem do Eterno? Será que não havia terra boa para seus gados em Kena’an?
Sei que é muito fácil julgar daqui, sentado confortavelmente em meu sofá, tendo as Escrituras por escrito e de forma digital, enquanto nossos pais lá se encontravam, no deserto, em meio a lutas, decepções e trunfos, mas mesmo lá, também havia aqueles que não questionavam as orientações do Eterno, transmitidas através de Mosheh, de que lá estavam com um único propósito, o de ingressarem na Terra Prometida.
Assim, as prioridades de Reu’ven e Gad devem ser consideradas em comparação às outras tribos que lá estavam prontas para a batalha e a tomada de Kena’an. Com certeza, minha condição não é um bom exemplo.
Mas talvez o ponto seja exatamente este... Será que minhas prioridades, levando em consideração todo o conforto que Ele, o Eterno, me proporciona estão corretas? Acaso estou sendo, pelo menos um pouco, diferente de Reu’ven e Gad? O único pensamento que vem a minha cabeça, simplesmente, é de tirar o fôlego... Com toda certeza, para chegar aos pés daqueles homens, eu precisaria ser muito melhor do que sou hoje... Minhas prioridades só não estão mais distantes do Criador, por ser impossível...
Sou pego, constantemente, preocupando-me exclusivamente com o dia de hoje e o de amanhã... Não consigo concentrar-me naquilo que realmente importa, a Vontade de HaShem. Sou egoísta e, na maioria das vezes, motivado por preocupações financeiras (apenas não o gado...), enfim, daria para escrever uma relação extensa de prioridades, quando a única que realmente deveria importar seria o Temor a HaShem.
Quando pratico isto, o Temor a HaShem? Quando estou em uma situação de dificuldade, como recentemente passei... E o mais curioso de tudo isto? Mesmo com toda esta condição de distanciamento de meus propósitos, de minhas prioridades, ainda assim, o Eterno é Misericordioso e me atende em minhas súplicas... Como compreender isto?
É mais ou menos assim, quando somos pais, temos um amor meio incontrolável para com nossos filhos, simples assim... Muitas vezes deixamos a razão de lado e, quando olhamos com um pouco de cuidado para determinada situação, estamos lá fazendo algo totalmente fora dos padrões normais, motivados por este amor que temos para com eles... Então a resposta que me afronta é esta, o Eterno nos ama de uma forma incomensurável e Sua Misericórdia não tem limites!
Ele nos convida, diariamente, com base em Seu exemplo, a revisitarmos nossas prioridades, porém, sempre de uma forma velada, sem que tenhamos a visão do todo, para permitir que esta “revolução” seja algo espontâneo. Seria muito fácil, sermos testemunhas de uma grande “pirotecnia”, vermos “moveres” e nos depararmos com situações que beirem o sobrenatural, mas o que será que realmente motivaria nossa mudança, a pirotecnia ou um coração mais preparado para seguir Sua Vontade?
Nesta reflexão não serei hipócrita, para pedir a Ele algo maior do que posso suportar e fazer... Que o Eterno, Bendito Seja Ele, continue a ser Misericordioso para comigo e que eu possa deixar, uma a uma, cada cabeça de gado para trás, até que tenha condições de, pelo menos, fazer passar a minha posteridade para a Terra Prometida...
Para nossa reflexão, deixo o final do Livro de Mal’achi, 4:4-6, “Lembrai-vos da Torah de Mosheh, Meu servo, que lhe mandei em Chorev para todo o Yisra’El, a saber, estatutos e juízos. Eis que Eu vos enviarei o profeta Eliyahu, antes que venha o grande e terrível dia de YHWH; E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que Eu não venha, e fira a terra com maldição
O Eterno, Bendito Seja Ele, encerra o Tanach mostrando-nos qual deveria ser nossa única prioridade... Esta é a condição que devemos almejar para que Sua Misericórdia dure para sempre... Ki leolam chas’do!!!
Chazak, Chazak Venit Chazek!

Força, força e que sejamos fortalecidos!

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